Os transtornos mentais, incluindo a esquizofrenia, requerem acompanhamento contínuo e uma abordagem multiprofissional. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) substituíram o antigo modelo manicomial, oferecendo uma forma de assistência e tratamento mais adequada. Compreender o perfil dos usuários desses serviços é crucial para desenvolver novas ferramentas, práticas de intervenção e atendimento psicossocial. Diante disso, o objetivo da pesquisa é analisar o perfil dos usuários com o diagnóstico psiquiátrico de esquizofrenia de um CAPS do interior de Minas Gerais. Trata-se de um estudo documental, descritivo e de caráter transversal. Os dados foram coletados a partir dos prontuários dos pacientes diagnosticados com esquizofrenia de F20 a F20.9, que procuraram o serviço de saúde mental no referido CAPS pelo menos uma vez, no período de 2018 a 2023. Os pesquisadores analisaram os prontuários selecionados, e com o instrumento próprio de coleta de dados, realizaram o levantamento das variáveis de interesse da pesquisa: sexo, idade, estado civil, se possui filhos, com quem reside, escolaridade, profissão e se a exerce, se recebe algum benefício, renda familiar, religião e de quais medicações fazem uso no momento. Os dados foram analisados a partir da distribuição de frequência e porcentagem, utilizando o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) para Windows versão 25.0. O estudo foi submetido e está em trâmites de aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa. A maioria dos usuários diagnosticados com esquizofrenia eram do sexo masculino (66,7%), com idades entre 21 e 30 anos (27,5%). A autodeclaração é predominantemente parda (62,7%), analfabeta (35,3%), católica (76,9%) e solteira (58,8%). A maioria dos usuários não tinha emprego fixo (96,1%), sendo autônomos (36,4%) ou trabalhando em serviços da lavoura (36,4%). A principal fonte de renda era o Benefício de Prestação Continuada (47,1%). A maioria dos usuários residia na zona rural (52,9%) com os pais (31,4%) e não tinha filhos (43,1%). A maioria dos encaminhamentos foi feita pelas Unidades Básicas de Saúde (70,6%), hospitais (19,6%) e CREAS (3,9%). Quanto ao tipo de esquizofrenia, a maioria apresentava esquizofrenia paranoide (74,5%). Em relação aos medicamentos, a maioria dos pacientes estava em uso no momento do registro do prontuário, sendo os mais comuns: Haldol (39,0%), Diazepam (31,7%), Risperidona (31,7%) e Clonazepam (14,6%). Essas informações são importantes para direcionar estratégias de intervenção e atendimento adequado aos pacientes com esquizofrenia, considerando suas características e necessidades específicas.
