A dependência química resulta do uso abusivo de substâncias psicoativas que afetam o sistema nervoso central, causando prejuízos à saúde física e mental do indivíduo, além de repercussões na sociedade e no ambiente do paciente. Nesse contexto, o papel do psicólogo é crucial, oferecendo tratamento humanizado para restaurar a autonomia, o senso de pertencimento e a valorização do indivíduo. Este estudo investigou a atuação e as perspectivas dos psicólogos que trabalham ou já trabalharam com indivíduos que fazem uso de álcool e drogas, visando compreender quais abordagens e terapias são mais eficazes para esse público. O estudo, de natureza qualitativa e transversal, foi realizado com psicólogos experientes no atendimento a usuários de substâncias psicoativas, tanto na saúde pública quanto em clínicas particulares. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, que incluíram perguntas objetivas para caracterizar os participantes e questões subjetivas sobre a experiência e o perfil dos profissionais. Foram investigados os métodos terapêuticos utilizados, as dificuldades enfrentadas, as taxas de recaída e alta, as consequências físicas, psicológicas e sociais dos usuários, as estratégias de intervenção e a eficácia das intervenções psicológicas, incluindo a redução de danos, prevenção de recaídas e melhoria da qualidade de vida. A análise dos dados qualitativos foi realizada através da análise de conteúdo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), sob o número 6.731.524. As entrevistas com psicólogos experientes destacaram a complexidade do tratamento de usuários de substâncias psicoativas, que requer uma abordagem multifacetada e humanizada. A diversidade de formações dos profissionais e as necessidades individuais dos pacientes exigem estratégias personalizadas, com ênfase na Redução de Danos e no fortalecimento dos vínculos sociais. Os desafios incluem a resistência dos pacientes, estigma, falta de suporte familiar e altas taxas de recaídas. A importância de uma equipe multiprofissional e de intervenções abrangentes foi ressaltada para promover a autonomia, dignidade e bem-estar dos usuários.
